Ando sumida, eu sei… Outros projetos, outras praias, peço desculpas e apareço sempre que puder, ok?! O Texto abaixo encontrei por acaso, fazia uma busca sobre sei lá o que em meu gmail e apareceu este texto de 2006, que fiz para um amigo que ama mulheres amarradinhas, no melhor estilo Penélope Charmosa. A imagem é de Saudelli, não podia ser mais perfeita. Espero que gostem. Beijos, Beth

 

Conspiração Internacional

 

 

Sentado à mesa ele tamborilava os dedos nitidamente entediado, enquanto se perguntava por que aceitou o convite. Definitivamente, festa em família estando recém separado era tudo o que ele não precisava. A cada minuto a parentada fazia revezamento e um se aproximava para lamentar o fato, com aquela cara de “coitado do Luizinho”, como se, em pleno século vinte e um, separar fosse algo absurdamente incomum. Só ele já era a terceira vez, estava até acostumando às idas e vindas. Incomum era a Tia Penha e o Tio Dedé, cinquenta anos de casamento. Sinceramente, olhando a cara de coitado do tio, não sabia se era uma data a ser comemorada ou lamentada. Uma vida sob a rédea curta da esposa mandona, definitivamente, não era pra qualquer um.

Continuou ali, absorto em seus pensamentos, bebendo o whisky, quando sentiu a mão em seu ombro, preparou a cara de poucos amigos, na esperança que a pessoa se tocasse e saísse à francesa. Levantou o olhar e, apesar de não reconhecer de imediato, quando viu o sorriso aberto lembrou, Tininha, sua prima sardenta de São Paulo, que todo ano vinha passar férias na Vó Luísa.

Caramba, quanto tempo, ele pensou. Passou um filme em sua mente. Lembrou daquele quintal cheio de árvores, do cheiro de terra molhada depois da chuva de verão, da cabana no fundo do quintal, das guerrinhas entre meninos e meninas… Nos finais de semana a casa da vó parecia até colônia de férias de tanta criança brincando por lá. E no final do dia sempre tinha aquele café com bolo, que chamava a gente pelo cheiro, de tão gostoso.

- E aí primo, quanto tempo, hein?! – e logo abraçou-o.

- Tininha… Você está linda, nem te reconheci, está mais…

- Se disser mais gorda apanha! – ela interrompeu com uma gargalhada.

- Nada… Ia dizer gostosa! – disse sorrindo e se protegendo do tapa que veio logo em seguida.

- Safado!!! – ela completou.

- Menina… Tem uns trinta anos que a gente não se vê.

- Na verdade vinte e sete, eu tinha quatorze anos quando papai morreu e depois minha mãe voltou a morar no sul, lembra?! Daí a gente nunca mais se viu. Ficou complicado vir passar férias aqui no Rio.

Engataram uma conversa gostosa, relembrando os velhos tempos, colocando em dia vinte e sete anos de assunto. Falaram dos casamentos, descasamentos, filhos e do novo trabalho dela em terras cariocas. De repente a noite chata mudou totalmente o rumo e sem perceber a festa chegava ao fim. Antes de sair trocaram telefones. E enquanto se afastava, olhou no verso do papel e leu: “Vamos brincar de conspiração internacional?”.

Quando era criança, era com ansiedade que ele esperava as férias. Tininha, a prima sardenta de SP era uma graça e só ela se divertia e aborrecia tanto com ele enquanto brincavam, chegava a chorar de raiva às vezes, mas no fim tudo terminava bem. Ele tinha prazer em espezinhá-la, no entanto estavam sempre juntos. Era a parceira de todas as horas, foram quatro verões, quatro férias de brincadeiras e descobertas junto com os outros primos e primas, no entanto, nenhuma era como ela. “Conspiração internacional”, como ela foi lembrar daquilo?!

Quando se é criança, tudo é aventura e antigamente se era criança até não poder mais. Não é como hoje, aonde sua filha de quinze anos, chega dizendo que deixou de ser virgem e precisa de camisinhas. Tempos modernos… Ser criança naquela época era viver em um filme de ação, descobrir novos mundos sem sair do quintal de casa, fazer de uma escova de cabelo uma arma super poderosa bem ao estilo James Bond. Transformar o barraco dos fundos da casa da vó em Quartel General e dividirem-se em grupos de bandidos e mocinhos na luta do bem contra o mal.

É claro que também brincavam dos jogos clássicos como pique-esconde, pega-pega, queimada… No entanto, somente em “conspiração internacional”, uma espécie de RPG, eles amarravam e torturavam as primas, fazendo cócegas enquanto elas se debatiam como donzelas em perigo até quase fazerem xixi de tanto rir, confessando tudo, até o que não havia para ser confessado. Nas brincadeiras, ele sempre era o espião que se apaixonava pela mocinha (sua prima) e salvava-a no final de tudo. E relembrando riu sozinho.

Demorou uma semana até criar coragem e ligar para a prima, apesar de não ter passado sequer um dia sem pensar nela e na tal brincadeira infantil. Era deliciosamente erótico lembrar cena a cena, as brincadeiras infantis, inclusive masturbar-se lembrando e ele se sentiu meio pervertido por isso. Ela o convidou para almoçar em sua casa, aproveitando que os meninos, dois filhos de dezesseis e quatorze, passariam o final de semana com o pai. Ao telefone eles sequer mencionaram a frase no bilhete, mas havia entre eles uma tensão sexual implícita, disfarçada na sobriedade da voz.

Na casa dela, o almoço preparado por ela mesma e servido à beira da piscina, trouxe mais uma vez à tona os assuntos de infância, as brincadeiras, os detalhes, afinal, era o que tinham em comum, um passado bastante lúdico. Até que em determinado momento olhando diretamente em seus olhos ela comentou:

- Eu era apaixonada por você, sabia?!

- Sabia… Quer dizer, imaginava, mas… Sei lá, acho que isso é natural entre primos – ele disse meio sem graça, ela foi direta demais, não esperava. Definitivamente ela não era mais a garota bobinha que conheceu e aquilo o excitava.

- Lembra do nosso primeiro beijo, lá no barraco? – ela continuava sorrindo com o olhar penetrante.

- Como esquecer? O Beto tinha amarrado você na cadeira, assento e encosto, com as mãos para trás e punhos amarrados também, você estava vendada e amordaçada. Quando cheguei para te soltar (eu era do seu grupo, lembra?!) você se assustou e começou a se debater, as pernas, do joelho para baixo era a única coisa livre, você as debatia com força, os pés descalços e sujos. Aproximei-me de você por trás e fiz apenas: “Shhhhhhhhh, está tudo bem, sou eu, vim te soltar”.

- Vocês eram cruéis, eu já estava ficando com a circulação presa.

- E enquanto eu tentava desamarrar o nó dos seus punhos, pois dali soltaria todo o resto, você continuava se debatendo, tentando falar mesmo com a mordaça, para que eu te desamarrasse rápido. Te vi realmente desesperada. Só que eu não entendia nada do que dizia, resolvi então tirar a mordaça e vi tua boca com os cantos machucados, marcados, o Beto tinha apertado demais a mordaça. Tirei também a venda e pude ver que seu rosto, seus olhos estavam inchados, você havia chorado, passei a mão no teu rosto e você disse…

- Meu herói…

- É! E a gente riu, lembra?!

- Sim…

- E mesmo sem saber como se beijava, fiz como nos filmes, aproximei minha boca da tua e… Bati meus dentes com os seus.

- Provocando outra crise de risos… Só em lembrar já estou rindo.

- Sim, e o teu pedido desesperado: “Me desamarra logo, vai?!”. Pedido que eu obedeci de pronto. Com direito a massagem nas pernas e beijinho no dedão do pé! – falou divertido.

- Nossa… Aquele dia eu nem quis mais brincar lembra?! Fiquei P da vida com o Beto, ele me amarrou forte demais, fiquei com as coxas marcadas por dias, mesmo depois de você ter massageado. Beto era sádico, uma vez ele fez a Ana mijar nas calças de tanta cosquinha coitada.

- Realmente ele era muito mais hard que eu. O que era bom, pois quando eu salvava vocês era muito bem recompensado – disse isso rindo muito.

- Seu canalha, não vai dizer que você também beijou a Ana e a Gabi?

- A Ana não, mas a Gabi…

- Tarado! – ela disse rindo, dando uns tapas nele.

Ele então a segurou pelos punhos e de maneira firme, mas não agressivo, abaixou seus braços, colocando-a de pé e encostando o corpo ao dela sensualmente. Ela não ofereceu nenhuma resistência, mas olhava-o diretamente nos olhos de maneira desafiadora. Ele inclinou seu rosto para beijá-la, mas ela virou o rosto, ele tentou novamente e ela divertidamente repetiu o gesto, até que da terceira vez ela deixou-se beijar. Um beijo longo, intenso, ele sentiu as pernas dela fraquejarem, soltou seus braços e ela logo os envolveu em seu pescoço. E então, como uma gata, ela foi se enroscando mais e mais em seu corpo, esgueirando-se, ficando na ponta dos pés até falar baixinho em seu ouvido:

- Vamos aproveitar que estamos sozinhos… Faz de novo?

E quando ele se inclinou para beijá-la novamente ela interrompeu:

- Não! Beijo não! Não agora… Não ainda…

- Hummmm… Acho que não estou entendendo nada…

- Está sim! Só preciso que me amarre, coloque a venda em meus olhos, amordace e…

- E…

- Seja novamente o meu herói! – disse olhando bem no fundo dos seus olhos.

Sem pensar duas vezes, pegou-a no colo como fazem os heróis, e enquanto ela se agarrava ao seu pescoço e balançava as pernas divertidamente no ar, ele subia as escadas a caminho do quarto. Tinha nos braços a mesma menina sardenta de outrora, agora tão deliciosamente mulher. A mente fervilhando de idéias e desejos inesperadamente resgatados do baú das lembranças.

8 Respostas para “Conspiração Internacional – Beattrice”

  1. Paixão disse

    Olá, cheguei por acaso ao teu blog (mas como acredito que nada é por acaso…) Amei muito os textos e as imagens, realmente fiquei fascinada e não me contive até ler até o final. Gostei tanto que coloquei nos favoritos do meu blog também (se não te importares é claro) Ainda estou começando e a coisa por lá anda lentamente, mas sempre que quiserem lá passar serão muito bem vindos: http://memoriasdeumapaixao.blogspot.com/

    Pretendo a partir de hoje passar muitas vezes por aqui;)

  2. Apimentada disse

    passa no apimentada…somos novos por aqui…beijos lambuzados

  3. Licia disse

    Imperdoavel seu sumiço.
    Saudades dessa mulher que some sim,mais quando retorna ,volta deixando o dia mais iluminado.

    Licia

  4. maria{SS} disse

    Feliz Natal ! Paz, Luz, Saúde e Harmonia!
    forte abraço e beijos doces

    maria{SS}

  5. Marco disse

    Ahhh essas primas !!!!

  6. maria{SS} disse

    vim aqui lhe convidar para o bolo de aniversário de 4 anos de coleira!
    vem festejar Conosco!
    beijos felizes e doces

    maria{SS}

  7. dreamer disse

    q coisa hein! hottttt, i loved

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