O Lago e o Vulcão – Conto escrito por Beattrice
Outubro 28, 2007

Era uma vez…
… um lago à beira de um vulcão adormecido. De águas límpidas e plácidas, temperatura agradável e convidativa. Uma paisagem absurdamente linda, retratada por inúmeros artistas da região. Por ser um local de muito difícil acesso, só podia ser contemplado ao longe.
Conta a lenda que em tempos muito mais que distantes, havia na região uma aldeia e perto dele um castelo onde, solitária, vivia uma Rainha sem rei. Muito bela e inteligente, era uma mulher à frente do seu tempo. Em um mundo onde só os fortes sobreviviam, ela ousava reinar com inteligência, magnitude e benevolência, fazendo disso a sua fortaleza. Às vezes parecia fria e distante, no entanto, era justa, mas eventualmente caprichosa e malvada, como só as Rainhas podem ser.
Dizem que na ânsia de encontrar um companheiro para o seu trono, uma vez ao ano ela promovia uma festa. Uma espécie de torneio no solstício da primavera, que era aberto a qualquer homem do reino e seus arredores. Ao futuro rei, seria ofertado o seu maior tesouro. Tesouro este não revelado, no entanto extremamente cobiçado, afinal era um reino próspero, cheio de riquezas. Sem contar que o vencedor partilharia, até a morte, o leito com sua bela Rainha que tinha a fama de ser sexualmente insaciável.
Nestes torneios, que começavam em festas de três dias e três noites, onde o feminino e a cultura eram enaltecidos e reverenciados. Apenas no último dia a Rainha comunicava que apenas um, entre todos aqueles homens, havia sido escolhido para a última prova. A este homem, era dado o poder da escolha de submeter-se ou não à prova.
A prova era passar uma noite com a Rainha, saciando-a de todas as formas, inclusive sexualmente. Conta a história que a Rainha era uma mulher excêntrica, cheia de desejos incomuns, extremamente voluntariosa, às vezes até um pouco sádica, mas também muito doce e carinhosa. Todo o reino comentava à boca pequena suas excentricidades. Ainda assim, não faltavam candidatos ao trono. A pena para aquele que não a satisfizesse era simples. Deveria escolher entre a morte ou a escravidão.
Ano após ano. A festa era cuidadosamente planejada, os convidados cuidados e servidos como se fosse o próprio futuro rei. Durante os três dias e três noites da festa, mulheres seminuas, verdadeiras ninfas, serviam e dançavam para os candidatos, que estavam a todo o tempo sob o olhar atento da Rainha. Que fazia questão de conversar com cada um deles, em grupo e reservadamente. Alguns se excediam na bebida, outros na comida, outros falavam demais contando vantagens, brigavam entre si, alguns se excitavam com as serviçais e davam pequenas fugas para os seus aposentos. No entanto, nenhum deles sabia que estavam de certa forma, sendo um a um previamente eliminados da prova pelas suas próprias atitudes.
Quando a Rainha finalmente fazia a sua escolha diante de todos, inicialmente era um motivo de grande orgulho ao escolhido. Que enchia o peito, feito um pombo garboso diante dos que foram subjugados. Em particular, ela fazia claramente a proposta. Se o candidato se sentisse inapto para satisfazê-la, tinha todo o direito de retirar-se naquele instante, com liberdade e com vida, no entanto, sem honra. Alguns faziam esta opção, mesmo com todo o desejo, o medo era maior e saíam do reino cabisbaixos e humilhados.
Outros, por orgulho e convicção, aceitavam o teste, mas eram tantos os caprichos da Rainha, que parecia ser realmente insaciável tanto em seus desejos ditos simples, quanto no sexo. Que ao amanhecer, após uma noite servindo-a de todas as formas, percebendo-a ainda insatisfeita, o candidato repudiado preferia a morte à servir a tirana por uma vida como escravo.
Dizia o povo, que a estes candidatos, que pelo menos ousaram tentar satisfazê-la, ela lhes dava uma morte gloriosa. Como aceitavam resignadamente o seu destino, recebiam um tratamento especial. Eram amarrados em um trono de veludo vermelho por quatro lindas serviçais nuas, vendados, acariciados e beijados por cada uma delas, sob o olhar atento da Rainha. Invariavelmente, mesmo sabendo da iminente morte, a ereção e o prazer destes homens eram indescritíveis.
Somente depois de algum tempo observando a sensual agonia do outro, sobre o membro rijo a Rainha sentava-se até encaixá-lo completamente dentro de si e delicadamente cavalgá-lo. E quando finalmente ela o sentia completamente rijo e pulsante dentro dela, parava o movimento e massageava-o apenas com suas contrações internas, até perceber a respiração dele ofegar prestes ao orgasmo. Neste momento, ela tirava uma grossa corrente de ouro do próprio pescoço, envolvia no dele e estrangulava-o, aumentando freneticamente o ritmo da penetração até junto com o orgasmo dele, vir também seu último suspiro. Ninguém entendia como a Rainha podia ser tão boa, mas também tão malvada.
E assim passaram anos, reinando firme e serenamente o seu povo. Todo ano, a cada festa saíam homens humilhados ou mortos, mas nenhum escravo. A fama da Rainha bela e perversa ganhava o mundo. Ela era a própria contradição em forma humana. Extremamente justa e benevolente com seu reino, mas profundamente perversa com seus possíveis reis. Cada dia ela ficava mais insatisfeita e inquieta, cada dia ficava mais solitária. Chegando quase ao ponto de contentar-se com esta solidão. No entanto a sua busca era quase uma compulsão e no ano seguinte, lá estava o torneio outra vez.
Foi então que um dia, no que poderia ser mais uma festa, como tantas outras. Ela viu aquele homem tímido em um canto. Estatura mediana, jeito mediano… Não falava demais, nem de menos. Não chamava atenção e nem passava despercebido. Entre tantos príncipes e reis ela o percebeu. Aquele homem comum. Durante os três dias de festa ele acompanhou-a com os olhos, com cobiça e respeito, respondeu ao seu chamado com um olhar, antecipou seus desejos, não invadiu seu espaço. Durante o sarau recitou poesias, deixou-a completamente envolvida e excitada, com tamanho erotismo em palavras. Para surpresa de muitos, mas não dela, foi ele o escolhido. E quando em particular ela fez a proposta, ele resignadamente aceitou. “Será uma honra serví-la, minha Rainha!” disse ele. “Mesmo que seja a última coisa que fará na vida?”, ela perguntou como sempre fazia. E ele assentiu cabisbaixo.
Naquela noite, ela não foi menos exigente, caprichosa ou sexualmente insaciável do que sempre foi. O humilhou de diferentes formas, usou-o sexualmente, amarrou, espancou… Talvez até mais do que qualquer outro até então. E quando enfim o dia amanheceu ela, para sua própria tristeza, ainda estava insaciada. Dentro dela um grande vazio, tristeza, será que nem aquele homem tão solícito e preocupado com o seu prazer seria capaz de saciá-la? Era sua existência uma maldição? Respirou fundo então e, mesmo acostumada à resposta de que preferiam a morte, ela fez a proposta. “Deseja a morte ou a escravidão?” E ele então, para sua surpresa, ajoelhou-se diante dos seus pés e em posição de reverência, sem levantar os olhos respondeu: “Depois dessa noite, minha Rainha, a morte seria não ser seu escravo… Imploro que não me mate, não agora, pois quero servi-la até o fim dos meus dias.”
Pôs-se então a chorar e lavar os pés dela com suas lágrimas. Aquele ato de tamanha reverência e subserviência desconcertou-a. Algo indescritível e inexplicável. Tanto, que alguma coisa estranha aconteceu dentro dela. Colocou-o de joelhos diante de si e estapeou-lhe a face. “Recomponha-se homem. Não tem vergonha de chorar diante de uma Rainha?” e ele mais uma vez cabisbaixo respondeu que vergonha seria não ser completamente submisso e seu escravo. E naquele momento algo mudou na Rainha.
Conta a lenda que naquela manhã a Rainha o amarrou à cama e, cada vez mais severa, de todas as formas fez uso de seu corpo, de todos os seus orifícios, soltando-o apenas em momentos que queria-o como macho sobre si. Cobrindo-a como sua fêmea. Em sua boca ela liberou inúmeras vezes seu suco, sendo inclusive este o seu único alimento ou bebida. Por mais três dias e três noites ela e ele continuaram ali, trancados em êxtase e paixão. E no final da terceira noite, um tremor de terra amedrontou toda a cidade. E o vulcão, outrora instinto, com muita fumaça e lava entrou em erupção colocando toda a cidade desesperada em fuga. Exceto a Rainha e o escravo, que continuaram naquele quarto, alheios a tudo, entregues um ao outro até toda lava cobrir a cidade. Há quem diga que ao longe se ouviam gritos e gemidos de prazer até a cidade ser completamente coberta.
Dizem também que foi a paixão daqueles dias que provocou a erupção, que a rainha finalmente encontrou seu rei em um escravo. Que o maior tesouro que ela tinha a oferecer era a satisfação consentida daquele estranho prazer. E esta teoria ficou ainda mais forte, quando anos depois, ao pé daquele vulcão nasceu um lago. Lindo e limpo como a bela Rainha. Molhado e abundante como se imaginou ser seu último orgasmo. Nunca ousaram construir mais nada ao pé daquele vulcão, mesmo sendo sem dúvida um dos lugares mais belos do mundo. Ainda hoje, eventualmente o vulcão dá sinais de vida, e o lago plácido aquece e turva. Segundo a lenda, até hoje o escravo-rei serve à sua Rainha, dizem que se fundiram à natureza. E quando o abalo acontece é porque ela está à beira de mais um orgasmo com ele a satisfazê-la.
Imagem: Caress – Luis Royo
Boa história, bem seu estilo mesmo.
Bjs
Não posso dizer se dava pro ouvir mesmo os gemidos e urros de prazer rs
mas aqui em mim,provocou suspiros
afagos suspirantes
{licia}_Kl
gostei muito da foto…
do texto, nem se fala…
bjim
Não li… devorei!
Adorei o texto, muito bem escrito e com muita sensualidade.
Amiga poeta,li e adorei seu estilo,parabéns,abraços!!!!
Agora, vc me mata, rs…
Dá para adivinhar atrás dos traços daquela rainha, uma outra, provavelmente tão insaciável, buscando seus eternos escravos…
Menina, não sei o que dizer. “Continue” parece fraco, “Parabéns” demais usado…
Tem alguns orgasmos que nem precisam de contato. Ainda to tremendo, rs…
Um beijo,
Matt.
aiiiii ai affff… tao lindo sensual romantico
Bem escrito e muito sentido. Deixo aqui também o meu espaço de emoções eróticas.
http://www.marianacama.blogspot.com