Aguardente – Duas Bocas

Outubro 6, 2007

Um erotismo incandescente, assim eu definiria Duas Bocas. Abrir aquele blog é como entrar num transe psicodélico, não sei se devido à batida tecno, ou às cores fortes da template, ou pelas palavras sexies e fortes da autora. Uma coisa esquenta dentro da gente, sei lá. Carmen sedutoramente lança o desafio:

  • Quantas bocas tem uma mulher?
  • Quanta voracidade é capaz de produzir?

Bem… O blog está começando, mas ao que parece, promete, muito… Tanto, que como boa voyeur, quero ficar apenas do cantinho a observar!

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Aguardente

Hoje, desejar você dói tanto que decido apressar o final.

Sei que na hora em que disser “acabou”, o que sobrar não será mais eu. Dizem que há vida após a morte. Pois pago para ver.

Por isso, quando você me beija, deixo de lado a candura e devoro sua língua. E deslizo minha boca pelo seu peito, mordo seus pêlos e ouço seu suspiro.

Ao contrário de sempre, hoje não sorrio. Em vez de passar lábios delicados e provocantes pelo seu pau, afasto a cabeça e me limito a observar enquanto ele se ergue aflito. Vejo seu rosto relaxado, seus olhos cerrados, a boca semi-aberta num quase sorriso. Você ainda não sabe. Ainda espera minha carícia dócil. No entanto, com a mão direita espalmada, acomodo a parte de baixo do seu saco entre o indicador e o polegar da minha mão direita e junto as pontas dos dois dedos com firmeza.

O susto que atravessa seu rosto não desfaz a confiança com a qual você se entrega. Nem assim, tão preso e vulnerável, você se debate. O pau desenha uma esplêndida ereção, aproximo a glande da minha boca e a puxo para dentro com um movimento decidido.

Nessa hora, você é meu. Entregue, desprotegido, a alma em carne viva, você é só seu pau e seu pau é todo meu. Aperto os dedos no mesmo ritmo acelerado que imprimo à minha boca. Uso o polegar da outra mão para deslizar com segurança sobre o tendão que vai desde sua glande até seu cu. É o cordame que enfuna suas velas. É o nervo dos ventos e tempestades. É por ali que conduzo minha nau, que fabrico rotas invisíveis sobre o oceano.

Agora sim, sou senhora dos seus mares. Sou a corsária que rouba o mapa do seu tesouro. A pirata que vai fazer sua vida se esvair em água. Quando seu pau dá o primeiro soluço, aperto os dedos e conduzo a primeira onda até o o céu da minha boca. Assim, uma após outra, em vagas cada vez mais altas, em gritos cada vez mais fortes. Até que a eu beba sua vida transformada na espuma que sobrou da ressaca.

Agora, eu sorrio. Você ainda geme. Seus dedos de gaivota desarrumam meu cabelo.

Você começa a rir também. Sobrevivente da minha voracidade, novamente senhor dos seus caminhos, levanta em passos trôpegos, pega o telefone e pede à recepção do hotel duas caipirinhas de limão bem fortes.

Ainda há muito o que arder nesta noite.

Imagem: Angelicatas 

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