Sem Muito Pedir / Marisa W

Janeiro 26, 2007

Eu não tenho palavras para comentar o quanto a internet mudou minha vida. Eu sempre gostei de ler, mas nem sempre tinha grana pra viver comprando coisas novas, fui rata de biblioteca, com a net, os blogs… Tudo ficou muito mais fácil. Eu nunca imaginei que no mundo tanta gente pudesse escrever coisas tão boas. Editar livros é sempre tão complicado, divulgar então nem se fala. Com a net a gente vai navegando, navegando e… Acha!

Cheguei ao L[ATITUDES], da Marisa W, através do Pequenos Delitos. O PD tem o dom de fuçar e atrair blogueiros ótimos. Virou parada obrigatória. Graças a ele descobri este blog, feminino ao extremo, delicado, sensual, lírico… Sabe aqueles lugares que a gente vai e volta, aquele texto que a gente lê e re-lê?! Pois é… É lá!

Penso-te. Sê a aurora imerecida
Que vem outonar-me com sede tanta,
Amorando-me por todos os meus póros
Como uma fonte incestuosa e santa…

Agua-me com estes teus dedos de fada,
Goza-me inteira e eu serei cascata
Vertendo-me, completa, no teu ventre,
Amazonando-te qual catarata
Que retorna às águas em que nasceu.

Inverna-me e vem ; faz com que a semente
Feliz que dormita em nossas entranhas
Boutone-se, rose-se, vire nuvem
E chova nós mesmas dentro de nós.

Primavera-me com folhas e manhas ;
Garatuja-me a pele de vontades,
De palavrões, segredos e saliva ;
Faz-me bandeira e iça-me em teu corpo
Para que eu seja a sombra que te afague
Quando lassa, infiel e evasiva,
Te esquecerás de mim no teu verão.

A imagem é do fotógrafo, nem profissional e nem amador, apenas um amante da fotografia, Jozé de Abreu . E a foto não poderia ter um título mais sugestivo, “apenas boas amigas”.

Hades / Lorelei

Janeiro 19, 2007

Quando Lorelei Murmura, sequer suspiramos, apenas ansiamos e prendemos a respiração no aguardo do sussuro que vem dela. Lorelei sente e com palavras cruas revela estes sentimentos. A poesia vem da paixão com que as palavras são escritas e as cenas descritas. Lendo o que Lorelei murmura, somos todos voyeurs. De camarote observamos e gozamos!

“infinito é aquele momento em que me sento, lenta, no seu pau melado com minha própria saliva. cada segundo é uma vida, é seu corpo invadindo o meu, seguindo meu ritmo, minha vontade latejante, é minha buceta domando seu pau. o tempo não passa até que eu chegue ao fim, você completamente dentro de mim, ocupando o espaço que nunca foi meu. me entrego à descoberta de cavernas e rios internos, exploro caminhos, me perco à procura de saída e esqueço do tempo, do mundo, da vida. seu pau me leva de volta ao meu submundo e eu mergulho em gozos profundos, gemidos abafados no seu peito, desfaleço.”

http://lureln.blogspot.com/

Tinha tempo que eu não escrevia nada S&M, como sempre, com uma pitada de podolatria, esta é Beattrice… risos. E antes que perguntem, o conto é ficção. Infelizmente! Bem que eu queria um menininho sub aos meus pés numa festa! Espero que gostem.

Era o pai um escravo submisso conhecido no meio SM, sempre presente em festas e eventos bordejando pra lá e pra cá em seu traje de empregadinha, a empregadinha de todos nós. Escravo doméstico, mas sem Dona, Dona mesmo era a sua Senhora. Senhora da própria casa, mandona, Rainha do lar, mas… Inconsciente do seu poder de Rainha. Sequer sabia o que era Domínio e submissão em um contexto erótico. Sua Senhora reinava, mandava e desmandava, acreditando que tudo aquilo era apenas seu dever de Dona de casa. Enquanto isso o marido sonhava… E nas festas era o reflexo das empregadas, cozinheiras, diaristas, todas as serviçais que ele via serem comandadas por Ela, a sua Senhora.

Conheci o filho meio por acaso, em um passeio no shopping deparei com a família. Esposa, marido e filho, exatamente nesta ordem. O pai educadamente fez um cumprimento com a cabeça, era um gentleman, enquanto a esposa, Rainha Soberana, o inquiria com o olhar. Saiu-se bem me apresentando como um contato comercial da empresa. Não era mentira, foi uma grande surpresa quando nos esbarramos profissionalmente, fora dos eventos fetichistas. Éramos grandes amigos. Da família eu sabia tudo, apenas não conhecia pessoalmente. Só não sabia uma coisa, era o filho um submisso também, pude reconhecer pelo olhar, e ele jamais comentara.

Fomos apresentados, conversa trivial, superficial, sua Senhora comentava dos preços, do calor, da violência urbana, era uma mulher falante, simpática, Dominante. O papo fluiu, resolvemos tomar um café. Parecia pouco mais velha do que eu, deve ter casado jovem, muito jovem. Não dava muito espaço para marido e filho ter expressão. Pareceu gostar de mim, éramos parecidas. Na mesa da cafeteria, nós conversávamos, eles escutavam. No entanto, era o filho que me chamava atenção, um rapaz de vinte e poucos anos, escondido atrás dos óculos, tímido, que não ousava me olhar nos olhos em nenhum momento.

A partir daquele dia nos tornamos amigas, inicialmente para desespero do marido, que temia que eu soltasse algo sem querer sobre a sua vida secreta. Medo que foi logo substituído por uma grande cumplicidade, quando podíamos ríamos sozinhos das cenas protagonizadas por ela. Ele chegou inclusive a confidenciar que muitas vezes já correu para o banheiro para masturbar-se após presenciar algumas atitudes tiranas da esposa para com as empregadas. Ela era exigente ao extremo, naturalmente Dominante não apenas com os empregados, mas com marido e filho também, e eles já estavam habituados a isso. Ele só lamentava não ter coragem de dizer a ela dos seus desejos, das suas fantasias, acreditava que ela jamais entenderia seus desejos e talvez até pedisse a separação. O que pra ele era impossível sequer imaginar. Ela era a mulher da sua vida, mesmo sem saber o porque.

Foi durante uma festa na casa deles que eu tive minha chance com o filho. Percebi muito rápido que ele estava sempre muito próximo e solícito a tudo que eu necessitava. Eu já exercia ascendência sobre ele, que naturalmente obedecia encantado. Sentia-me uma pervertida em desejar aquele rapaz que poderia ser meu filho. Principalmente porque quando eu o via, meu único desejo era mostrar que tudo aquilo, toda a insatisfação e vazio estampados em seu rosto, toda aquela subserviência desmedida podia ser transformada, canalizada em energia sexual. Eu sentia nele um potencial absurdo para submissão sexual. Ninguém necessita ser um submisso na vida. O próprio pai era um empresário de sucesso que desde muito cedo descobriu que sua submissão era apenas uma fantasia sexual. Quando olhava para o menino, eu só queria mostrar a ele que ser submisso não é ser menos homem. Ser submisso é ser tão homem que pode levar qualquer mulher ao extremo prazer sexual, ter prazer em dar prazer.

Não demorou muito engrenamos um assunto de interesse comum, softwares de edição de imagem. Conversávamos animadamente, o menino era além de interessante, inteligente. E como a casa estava cheia de convidados, a mãe de vez em quando vinha me perguntar se eu estava bem servida, era muito atenta ao serviço, perguntava se precisava de algo e a cada dez minutos lembrava a ele que não deixasse me faltar nada. O pai olhava de longe enquanto dava atenção aos outros convidados e sorria com cumplicidade, já havíamos conversado sobre o filho e ele concordava com a minha teoria. No fundo ele já havia percebido o meu interesse e, principalmente, o interesse dele por mim.

Teve um momento que eu simulei uma torção em meu pé, no alto do meu salto doze e ele prontamente me acudiu gentil e carinhoso. Nos encaminhamos para um canto onde havia uma poltrona, ele ajoelhou-se diante de mim e desatou a minha sandália. Olhando-o nos olhos, pousei meu pé em seu colo e agradeci o cuidado, percebi um suspiro envergonhado da parte dele. De longe mãe e pai perceberam e aproximaram-se, ele retesou o corpo. Ela muito solícita perguntou o que aconteceu, eu fingindo dor disse que havia torcido o pé. O pai cúmplice pediu que o filho me encaminhasse para a saleta de TV, lá havia menos gente, enquanto isso a mãe, muito cuidadosa e realmente preocupada, coitada, foi pegar um creme para aliviar a dor. Sentia-me uma atriz, e tive um pouco de dó pela real preocupação dela, no entanto naquele momento tudo o que eu queria era as mãos dele em mim, e conseguiria a todo custo.

Na saleta, ele me acomodou no sofá, a mãe chegou logo atrás, instruindo-o sobre como massagear meu pé da maneira correta e me pedindo desculpas por não poder me dar a devida atenção, afinal, havia outros convidados. Saiu levando o marido pelo braço, eram os anfitriões, mas não sem antes exigir do filho que me cuidasse da maneira devida. Tarefa que ele executou com extrema devoção.

Massageou meu tornozelo com cuidado e eu fingia dor. Ele suava de nervoso, já havia percebido a minha má intenção, mas fingia não perceber e se deliciava tanto quanto eu com a ceninha de donzela em perigo. Cuidar de mim era naquele momento um ato duplamente submisso, já que ele obedecia à mãe enquanto dava prazer a mim. Ele ali, de joelhos diante de mim, num ato de cuidado e devoção, aliviando a minha dor, até quase ao ponto de me proporcionar alívio e prazer.

- Hummm… A massagem está tão gostosa que eu chego acreditar que se você der um beijinho passa a dor completamente – eu disse quase ronronando feito gata.

Ele olhou em meus olhos com o rosto afogueado, imediatamente depois olhou para a porta da saleta aberta, certamente com medo de executar minha proposta e ser pego no flagra pela mãe. Podia ler o dilema em seus olhos e continuei colocando o meu pé meio de lado e mostrando um pouco a coxa pela fenda do vestido.

- Dói mais aqui, ó! – apontando para o meu tornozelo.

E ele quase que hipnotizado parou de massagear para simplesmente olhar minha mão acariciar a própria perna, tornozelo e calcanhar. Estiquei meu pé colocando a cinco centímetros da sua face e repeti.

- Tenho certeza que com um beijinho essa dor passa…

Ele então, ainda de joelhos, segurou meu pé com as duas mãos, fechou os olhos e beijou exatamente onde eu havia indicado. No entanto, não parou ali, beijou também a sola com carinho e intensidade. Senti naquele beijo tamanho desejo, que foi como se ele tivesse beijado os meus lábios. Era uma cena linda diante de mim. Havia paixão e havia também subserviência. Mesmo cheio de medo que alguém pudesse chegar eu podia ver estampado em sua face o prazer em adorar meus pés. E antes que a carícia ficasse mais ousada e corrêssemos perigo, o interrompi.

- Obrigada, muito obrigada… Seu beijo é mágico, a dor passou.

Não sei ao certo quanto tempo passou, era como se ele tivesse beijado o meu pé durante horas. Sem dizer nada continuou a massagear, ali, de joelhos. Havia entre nós uma aura de encantamento. Ele estava nitidamente embevecido. Aquele menino era meu e nem sabia.

Foi então que a mãe dele entrou ainda preocupada com meu pé. Agradeci o carinho e a atenção, mas disse que iria pedir um táxi para me levar em casa. Não havia mais clima para festa. E ela então completou taxativa.

- Táxi para que, querida?! Meu filho leva você, não se preocupe, ele te leva direitinho, como um motorista particular – ela sentenciou naturalmente, como só as Rainhas o fazem.

Sorrimos. Não havia espaço para contestação. Sua Majestade, sem saber, conspirava em nosso favor. Seria um sinal do destino?

E quando bate a saudade é terrível, aliás, é bom. Muito bom, pois quando estiver junto ele vai sofrer, muito… E vai adorar! Saudades do meu Casto!

Tua voz me seduziu
Teu abraço me aprisionou
Teu beijo me entorpeceu
Teu cabelo minhas as mãos amarrou
Teu suor me fez dependente
Teu cheiro provocou convulsões
Teu sorriso dopou meus sentidos
Tua regra me drogou

No teu seio me tornei escravo
Sou um viciado em teu gozo
Agora é minha Deusa
Aos teus pés eu te adoro
E de joelhos imploro
Quero morrer de overdose

casto

Até esqueci de comentar aqui, dia 05/01 o Alex Castro postou no LLL o seu Elogio à Masturbação depois de um feedback absurdo dos seus leitores, ele fez um post legal. Aliás, não deixem de ler também o Elogio às Malvadas e Elogio aos Pés, são dois artigos sensacionais, que eu sempre indico. Acho que o mais interessante do post foi a proposta de discussão ao assunto tabu e principalmente a resposta que obteve. Como ele mesmo citou em seu post, uma leitora chegou a deixar o comentário: “E não é que respondem?!” E as pessoas respondem por um motivo, necessitam falar, necessitam ler, necessitam entender e principalmente sentir-se menos sozinhas. Não posso negar que ler os comentários do post inicial, foi maravilhoso, parecia análise em grupo e acredito que muitos também amaram ler como eu.