Fecho a semana das Literatices Eróticas Musicais, sentindo que deixei muita coisa boa para trás. De certa forma, acabei homenageando algumas pessoas queridas postando músicas de conteúdo erótico que tanto amam.

Me chama de chão, foi uma homenagem ao meu amigo Casto. Cavalgada, uma dica do meu irmão Antonio. Valsinha e Paixão, foi por minha causa mesmo, amo Chico e Vinícius, também Kleiton e Kledir! Deus te proteja de mim, foi um carinho para a minha mãe, que ama esta música (mesmo cantada pelo Wando, arrrrrrrrgh!).

Fecho esta semana com Doce Vampiro, de Rita Lee cheia de metáforas sensuais. De certa forma homenageando o meu primo Júlio, um viciado em vampiros. Inclusive a imagem que ilustra foi editada por ele para o seu Blog, O Nascimento De Um Vampiro.

Muito obrigada, por terem visitado o Literatices Eróticas esta semana, certamente farei mais semanas como esta, pois o que não falta em nossa MPB é sensualidade (implícita ou explícita).

Venha me beijar, meu doce vampiro
Oh, oh, na luz do luar
Ah, ah, venha sugar o calor de dentro do meu sangue vermelho

Tão vivo, tão eterno veneno
Que mata a sua sede e me bebe quente como um licor
Brindando a morte e fazendo amor

Meu doce vampiro, oh, oh, na luz do luar
Ah, ah, me acostumei com você sempre reclamando da vida
Me ferindo, me curando a ferida
Mas nada disso importa, vou abrir a porta prá você entrar
Beijar minha boca até me matar

Beijar minha boca até me matar de amor

Carlos Colla é um daqueles autores que fez do romantismo profissão, e por isso, acabou sendo o compositor predileto da maioria destes cantores populares. José Agusto, Wando e tantos outros.

Esta música, Deus te proteja de mim, é uma poesia belíssima. Romântica e erótica, mas que por ter sido cantada pelo Wando eu detestava. Hoje perguntando para a minha mãe sobre uma música de conteúdo erótico, ela lembrou desta. Fui pesquisar, e não é que a letra é belíssima mesmo?! Vale dar uma olhadinha.


Deus te proteja
pela onda de alegria
que me invade todo dia
quando encontro com você

Deus te proteja
por meu beijo de pecado
tão gostoso e tão levado
tão molhado de prazer

E toda vez
que você cruza meu caminho
eu esqueço que sozinho
eu nasci e vou morrer

No teu olhar
eu vejo um mundo tão bonito
tenho fé e acredito
e deixo o amor acontecer

Vem me seduzir,
me confundir, me agradar
você é louca
e eu sou mais louco que você

Vem brincar com fogo
me queimar e se queimar
queimando juntos
a gente pode se acender

Eu não vou deixar
de amar por medo de sofrer
se você quer me dar
eu quero receber

Vinho proibido
de uma safra especial
que me embriaga,
me alucina, e não faz mal

Deus te proteja
pela falta de respeito
do meu corpo no teu leito
quando a gente faz amor

Deus te proteja
por meu jeito atrevido
que provoca teu gemido
mais de gosto, que de dor

O teu vestido
esconde a parte mais formosa
benza Deus fêmea gostosa
que amor guardou pra mim

Repete e fala
essas loucuras sem sentido
bem baixinho em meu ouvido
me da mais, que eu quero sim

O que me fascina em Valsinha, de Chico Buarque e Vinícius de Morais, é o lirismo da composição.

O que poderia ser um tema tão corriqueiro e comum, coisas de casal, foi cantado de maneira a encantar quem ouvisse. A fuga da rotina diária, por um arroubo de paixão. O erotismo implícito em cada entrelinha, em cada palavra não dita, mas magistralmente insinuada.

“E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu “

Sim! O mundo compreendeu, e nós também. Deliciem-se com o texto!


Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

Podem me chamar de brega que eu não estou nem aí, Roberto e Erasmo Carlos são imbatíveis em erotismo e romantismo nos seus tempos áureos. Cavalgada é deste tempo.

Lembro que ouvia esta música e não entendia muito, no auge da minha ingenuidade infantil. E daí perguntei pra minha mãe, porque “Cavalgada“? E ela depois de enrubescer, é claro, deve ter comentado que se tratava de intimidades de casal. Como criança aceita qualquer resposta, devo ter aceito esta também. No entanto, só entendi realmente: “Sem me importar se neste instante / Sou dominado ou se domino “, muito tempo depois, vivenciando o ato!

Amo esta música e tantas outras de Roberto, mas esta em especial, é de um erotismo delicioso. Esqueçam por um instante a melodia e leiam como uma poesia, os versos são simples e diretos, como é o sexo, mas repleto de metáforas encantadoras.

Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza deste instante
O amor cavalga sem saber
E na beleza desta hora
O sol espera pra nascer.

P.S. – A imagem foi gentilmente “surrupiada” do blog A masmorra ou do Entrega BDSM, não lembro, a moça aqui não teve nem a decência de colocar na pasta correspondente… Desculpem meninas, amo vocês, mas sou meio enroladinha de vez em quando.

Paixão, dos irmãos Kleiton e Kledir Ramil, é uma música lindíssima do início dos anos 80 e uma das mais eróticas que já vi.

A música fala da febre e da urgência, que só os realmente apaixonados sabem exatamente como é. O encantamento, envolvimento, o medo e o ciúme. Personagens das paixões intensas.

Belíssima letra, vale a pena ser lida!

Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer
Ah! Esse maldito fecho eclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém

Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou