No entanto, eu estava à procura de algum texto ou composição de Chico Buarque que tivesse a cara da minha amiga Trevi, d’a Masmorra, em retribuição ao carinho dela ter dedicado a esta mocinha aqui uma linda poesia, Penélope, de David Mourão-Ferreira. Autor que eu só conhecia do belíssimo hino à submissão, É Quando Estás De Joelhos. Vale dar uma passadinha n’a Masmorra e ler com carinho os maravilhosos textos do autor.
E foi então que procurando nas obras de Chico algo tão forte e visceral quanto a minha amiga d’a Masmorra, li O Que Será (À flor da pele) do nosso glorioso compositor. E este trecho em especial, achei a cara dela… risos.
O que será que me dáQue me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
E então, como uma coisa leva à outra, lembrei da maravilhosa À Flor Da Pele de Zeca Baleiro que eu simplesmente amo, e resolvi citá-lo também. Erotismos implícitos em cada palavra, cada verso. Não igual a Chico, este é incomparável, mas deliciosamente lindo..
Vale a pena se deliciar com dois momentos À Flor Da Pele.
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Ando tão à flor da pele
que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
que o meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
que a minha pele tem o fogo do juízo final
Um barco sem porto,
sem rumo, sem vela
Cavalo sem cela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
noutras suicido
Marcas / Poesia de DoceNicka
Maio 28, 2005
Uma das poucas mulheres, que como eu, admiram belos pés masculinos. Já escrevemos a quatro mãos o conto Pés de Anjo. E juntas, fazíamos a moderação da lista de discussão do Yahoo, Podolatria Brasil.
Seus textos são de grande sensibilidade e erotismo. Marcas é assim, delicado e forte, como a minha amiga Doce, DoceNicka. É ler e conferir. Saudades, Doce…
Corpo suado coberto de beijos
Lábios passeando por tuas pernas
Selam cada dedo num beijo molhado
Nem as curvinhas escapam-me
Seu sabor mordiscando
Por tuas coxas deixo marcas
Cubro seu sexo com beijos mornos
Submeto você a meus caprichos
Meus pés passeiam em tua face
Brincam afastando teus cabelos
Deslizam em sua nuca fria
Calafrios, gemidos, soltos
Lábios entreabertos
Cedendo ao beijo forte
Ar, fogo, sede, tesão!
Calor de línguas que se misturam
Aquecido e preso, entre minhas solas
Sinto escorrer o doce cheiro do prazer
Minhas curvas te acolhem
Sem pensar em mais nada.
Sonho / Poesia escrita por Celinha
Maio 27, 2005
Os gays assumem diante da sociedade a própria sexualidade, amar os do próprio sexo. As sissies não! Vejo-as como heteros que possuem uma alma feminina e quase sempre sofrem quando não admitem e se permitem viver esse desejo.
Repito então o que digo sempre: “Felizes os que vivem plenamente a própria sexualidade.”
O texto de Celinha me emocionou, quase tanto quanto o texto do Kleiton na semana passada, pois trata com uma beleza singela algo tão forte e ao mesmo tempo tão delicado. “Sonho” é tão mais que um sonho se por alguns instantes, pelo menos, acreditarmos ser real.
Fiz a composição da imagem, aprisionada, depois de uma frase que Celinha escreveu. Ela disse: “Pois o meu corpo é de homem, mas a minha alma é de mulher.” Seja como for Celinha, a sua sensibilidade te faz uma menina, quando e como você quizer. Por que a nossa alma é livre. Beijos!
Sonho
Foi um sonho apenas, que pena!
Um devaneio que invadiu a minha alma,
de repente, bem do fundo do meu ser.
Foi lindo como o corpo de mulher
que eu sempre quis.
Gostoso como o afago de suas mãos
em minha pele.
Foi um sonho, sim, mas tão real
que um frêmito de prazer me sacudiu.
Deixei-me levar, solta no ar
como pétalas na brisa morna, sensual.
Meu corpo aos poucos se alterou
como uma massa nas mãos de uma criança.
Vi-me de volta aos meus vinte anos,
sentindo livre a fêmea imersa em mim.
Nenhum pêlo indesejável em minha pele,
nem barba, nem nada viril me atormentando.
Os cabelos louros, olhos azuis,
os peitinhos rosados e crescidos
Como os de uma adolescente pura, sensual.
Os pés delgados e macios, pernas lisas torneadas,
as nádegas redondas e lindas, de menina,
a convidar o falo de um macho viril.
Foi lindo sentir-me enfim mulher …
A mulher que tenho em mim aprisionada
E que teima em se lançar afoita à luz do sol.
A última vez / Poesia escrita por Beattrice
Maio 25, 2005
Terminar um relacionamento nunca é fácil, é como admitir incompetência publicamente. Quem quer assumir a própria incompetência? Quem quer admitir para o mundo: “Eu falhei!” ?
Hoje, dois meses depois do fim, resolvi finalmente postar essa poesia. Poesia que escrevi no dia seguinte ao fato. Uma literatice, não sei se erótica. E não por que eu esteja admitindo aqui incompetência, estou apenas virando a página, e assumindo pra mim o que não quero para a minha vida. Hesitei em postar, pois queria ter certeza do sentimento. Hoje tenho. Acabou!
A última vez!
Meu Amor
Preste atenção às minhas palavras
Nelas ainda há alguma mágoa
Talvez até um certo rancor
No entanto, com muita calma eu te digo:
Não será pra sempre assim…
É a última vez que assim te chamo:
“Meu Amor”
E não porque eu não mais te ame
(hipocrisia seria negar)
Mas sim porque não te sinto mais “Meu”!
É a última vez que lamento
Não poder viver mais nossos momentos
Nunca mais tocar seu corpo
Sentir teus beijos ou
Entregar-me em seus abraços
É a última vez que choro tua ausência
Que lastimo a falta que você me faz
A falta de não sentir mais o peso do teu corpo sobre mim
O vazio impreenchível sempre presente
Mesmo quando estava ausente
É a última vez que choro
Que me dilacero
Que te culpo
Que me culpo
Que me deixei iludir por você
É a última vez que ponho pra fora essa mágoa
Mas peço a Deus que não seja mais mágoa
Rogo a Deus pelo teu eterno “bem estar”
Pela tua paz
Pela minha paz
Esta é a última vez!
Uma última vez sensata
Cheia de certeza e tristeza, mas…
Nada mais,
Que a última vez…
Mais uma da Gi…
Maio 22, 2005
(E se não for essa a realidade, Gi, isso não só mostra o quanto é uma boa atriz, como uma maravilhosa poeta. Ah, esses fingidores…)
Quero ressaltar um trecho em especial:
“Teu jeito moleque
De menino-homem
Quando puxa-me os cabelos
E me ordena em súplica
Tudo que deseja de mim”
Ordenar em súplica Gi??? Wow!!! Claro que “esse” cara vai ter tudo, de quem quiser!!!
Te desejo tanto
Em ciclos de arrepios
Initerruptos
E rompantes de saudades
Atemporais
Adoro o corpo magro
E cada delícia
Que a pele que eu toco
Me proporciona
Cada sílaba
Que tua boca pronuncia
Com uma voz quase infantil
Teu jeito moleque
De menino-homem
Quando puxa-me os cabelos
E me ordena em súplica
Tudo que deseja de mim
E adoro quando explodes
Sinto então a força
Dos teus braços
E teu corpo que se cola
Ao meu…
Cada beijinho
Cada aconchego
Todas as expressões da tua voz
E mesmo sendo assim
Tão aparentemente simples
Tão ao meu alcance
Sei que não é sempre
E queixo-me da inconstância
Aterradora
Da falta da tua presença
De cada telefonema
Que você não me dá.
E ainda que eu ache
Que falta muito para seres
Homem, finalmente,
Reconheço-me perdida
Entre todas as gostosuras
Que esse menino imaturo
Consegue me presentear
E me passa todo o fervor
De uma época
Pra qual eu jamais conseguirei
De outro modo
Voltar
Então, já não pretendo mais
Me encontrar
Deixo de existir
Pra ser um um pouquinho de você!





